Como se leva uma estrela para o céu?

"O poeta é um fingidor. Finge tão completamente, que chega a fingir que é dor, a dor que deveras sente." (Fernando Pessoa) Tal como o poeta, também eu finjo, imagino, invento e crio com as minhas palavras...

quinta-feira, maio 4

Amo-te


Tinha 20 anos e nunca dissera Amo-te. Ou já o dissera, mas não na acepção romântica da palavra — dissera-o à família, aos amigos, às pessoas mais importantes da sua vida… mas nunca a um apaixonado ou enamorado seu. Estes já lho haviam dito, por diversas vezes. E de todas elas, ela reagira de maneira diferente, mas nunca o dissera de volta. Nunca o dissera e fazia-lhe confusão a facilidade com que as pessoas o diziam, a facilidade com que elas amavam (ou pensavam que amavam) — via os rapazes e as raparigas da sua idade e mais novos ainda saltarem de relação em relação como quem vai a um parque de diversões e quer experimentar tudo. A efemeridade dessas relações assustava-a, principalmente quando ouvia a malfadada palavra Amo-te surgir de lábios que tocavam os outros há apenas escassas semanas. Poderia o Amor surgir num instante e ir-se embora com a mesma rapidez com que havia chegado? Ela não acreditava. Não podia acreditar que o Amor fosse momentâneo. A diversão era passageira, o interesse e a atracção inicial podiam ser transitórios, a química podia até ser fugaz, mas o Amor? Não. No seu espírito sonhador, ela acreditava que o Amor era algo mais. Era algo mágico e especial, algo que não se encontrava em todas as relações que se tinha, era algo para o qual ela se guardava. Por isso nunca dissera Amo-te. Porque ainda esperava por alguém diferente de todos os outros, alguém feito para ela, alguém a quem ela pudesse dizer sem se arrepender mais tarde Amo-te.

9 Comments:

  • At 4/5/06 23:20, Anonymous Anónimo said…

    Hmmm...às vezes esperar não dá em nada...:P

    mas sim...talvez ela encontre o seu moçoilo, aquele que ela vai amar verdadeiramente ;)

    Bom texto Xaninha...faz pensar na efemeridade de tudo...

    Ah e tal...fui a 1ª(?) again =)

     
  • At 4/5/06 23:57, Blogger Alexx M. said…

    É verdd, Joaninha, foste a 1ª again... Tenho d começar a distribuir prémios, lool!! Mas é, este txt faz pensar na efermeridade das coisas, principalmente das relações... Foi inspirado numa pessoa conhecida k têm uma relação diferente a cada 2 meses e de cada vez diz k ama perdidamente a pessoa com quem está no momento. Não a compreendo mto bem, mas enfim... E gosto da minha "minina" (leia-se personagem) k sabe esperar por akilo que acha que é melhor para ela :)

     
  • At 6/5/06 00:52, Anonymous Anónimo said…

    Acredita que vale sempre a pena esperar pelo momento em que, espontaneamente, essa palavra repleta de sentimentos que se vão misturando cá dentro, saia. Acredita que num dia, quando aquele alguém aparecer até essa palavra será pouco para exprimir o que te vai no coração...e perceberás então que o "Amo-te" tem somente o significado que tu lhe queres atribuir. Daí eu ter "inventado" o meu próprio "Amo-te"... até acho que sabes kual é...axo..., e que vou pronunciando ha ja 2 anos e meio... da mesma forma um simples "Adoro te " não é suficiente para exprimir o que rodeia a nossa amizade e tudo aquilo que ela ja viveu... mmmuuuaaahhhh minha bacana!***

     
  • At 6/5/06 18:04, Blogger [lunatic] said…

    Eu nem sei se a palavra Amo-te é suficiente para descrever a totalidade de sentimentos que guardamos por uma pessoa. Nem se quer se pode haver uma definição clara do que é o amor, sendo ele tão ambiguo e directo ao mesmo tempo, individual, e mutável. Cada um interpreta-o como quer, ou melhor: como consegue. Por isso, talvez haja quem diga a palavra amo-te a torto e a direito nunca com a certeza de qua a sentiu até ao dia em que realmente o sinta, ou talvez hajam vários tipos de amor: não maiores e menores mas que por alguma razão assumem uma importância gigantesca, ou, pelo contrario, uma importancia passageira. Há quem nunca diga a palavra amo-te com medo do arrependimento, e não o confessar não quer dizer que não o sinta. Mas se calhar o importante nem é confessar, simplesmente senti-lo! e ha quem guarde a palavra para aquele amor especial, aquele que nos eleva definitivamente às nuvens e nos abraça sempre... gostei muuito do texto! ;)

     
  • At 8/5/06 19:59, Blogger fairy dust said…

    O amor dos amigos é eterno certo?
    Amo-te Xana =P
    mesmo q não seja de forma romântica...se calhar até é mlhr q isso :)

    beijinhos gds e obrigada pelo apoio:)

     
  • At 8/5/06 23:22, Blogger J. said…

    É k nem mais...
    Não vale a pena apressar as coisas, os momentos, o k tiver d acntecer, acntecerá... E s for a pessoa certa não vai haver nem arrependimento nem dúvidas ( e c alguma sorte será correspondido)

    mais uma x revi.me!

     
  • At 13/5/06 04:53, Blogger Fátima said…

    tudo parece ser tão fugidio, tudo parece correr à loucura estonteante de uma gargalhada, tudo parece ser como uma fast-food, fácil, intenso, mas insaciável... não apetece abrir deixar sair um bocadinho de nós, porque a palavra ecoa no outro e não mais volta atrás... mas encarcerá-la cá dentro também custa tanto... =| é tudo um oscilar de inquietações e explosões loucas, cuspir de palavras asfixiadas. mordo os lábios para não falar. mas às vezes o grito mordido rasga os meus lábios e sai! e agora?
    tudo tão confuso!

    escreve tão bem a afilhada emprestadada!!! =D**** gostei muito!

     
  • At 18/5/06 20:54, Blogger T. said…

    epah sem palavras...=)

    lindoo...

     
  • At 21/5/06 16:27, Blogger D@s Pl3ktrüm-/v\ädch3n said…

    Ainda há pouco tempo estivémos todas a discutir essa questão... a questão da expressão "amo-te" parecer demasiado pequena ou então demasiado grande... quando é a altura certa para o dizer (se é que existe alguma)? E a pessoa certa (ddefinitivament indecisa em relação à existência desta)? Faz-me lembrar aquela song dos Clã - Problema de expressão... =P Don't we complicate just about everything?

     

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